segunda-feira, 15 de agosto de 2011

london riots # 1

a primeira noite em Tottenham Hale


Durante vários dias viveram-se aqui momentos de grande tensão e violência. Os motins foram tão aleatórios quanto destruidores e, considerando as proporções, sem precedentes em Londres. Na verdade, sim, trata-se eminentemente dum segmento da população que se divorciou em absoluto da política e valores sociais. Alegaram que a razão que os levou a perpetrar tamanha destruição foi mostrar, cito, "às pessoas ricas que estão a estragar isto tudo". Não me alieno dessa realidade, mas a verdade é que a maioria das àreas onde os motins aconteceram, são áreas com uma grande comunidade emigrante, comércio tradicional e condições sociais sensíveis. Ao alegarem como alvo "as pessoas ricas" a incoerência e o carácter aleatório de tudo isto cravam estas atitudes dum egoísmo e inconsciência imensos.


Se houve cortes de apoios à juventude, se a situação actual é complicada, se isso tem efeitos a médio prazo, é indiscutível. O que me parece sobejamente discutível é que no meio desta rebelião terem sido detidos estudantes de universidade, atletas de alta competição entre outros que, aparentemente, deveriam ter uma consciência social e políticas mais abrangentes e se venderam, gratuitamente, a uma cadeia de motins que os destruiu (se reclamavam melhores condições, emprego, etc, agora com o cadastro sujo, as coisas ficam ainda piores) bem como à comunidade onde, aparentemente, viviam (e que se permitiram destruir). Estamos a falar de jovens entre os 8 e os 20 e poucos anos que decidiram, um dia, cito, “trazer umas quantas coisas grátis para casa” e “ter o melhor dia da vida”. Isto não tem amenização de culpabilidade alguma. Como não tem compreensão a dimensão de destruição que provocaram. Não pretendo que exista um entendimento errado das palavras, mas a verdade é que se, em primeira instância, todos estes acontecimentos poderão ser uma expressão consequente de decisões políticas, noutra instância serão a prova de egoísmo, irracionalidade, incoerência e, acima de tudo, facilitismo que cunham esta geração de looters.

Há demasiadas variáveis para que se atribua a íntegra da culpabilidade. Mas, compreenda-se, a tremenda revolta de todos os quantos foram afectados, directa ou indirectamente, por estas centenas de looters. Agora, também eles, as vítimas, vêm menos que nada duma vida que, com tanto esforço, se empenharam em criar, abrindo um pequeno negócio familiar que ardeu numa fúria tão desmesurada quanto gratuita.

Da miséria como horizonte, agora, não lhes sobra quase nada. Desse mesmo vislumbre de miséria que os moveu, aparentemente , muniram-se de todos os bens essenciais com os quais iriam garantir a sobrevivência. Porque LCD’s, DVD’s, ténis e bicicletas, agora, aparentemente, também alimentam.

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