segunda-feira, 15 de agosto de 2011

london riots # 2


do inferno à mobilização altruista que moveu o bom coração
de centenas de voluntarios.

A noite mais violenta de todas, 8 de Agosto, em Croydon





O que se passou e continua a passar em Londres só se insere numa única descrição possivel: sao absolutas acções criminosas onde se perderam vidas, se arruinaram esperanças e se esgotaram as possibilidades. Se isto não constitui um crime de qualquer ordem, o que constitui entao?

Porque analisando sob uma determinada perspectiva, a maioria dos “alvos” atingidos, pilhados e destruídos constituem em si próprios sintomas do quão facilitista, derrotista e superficial é esta geração. Como referi, bens de primeira necessidade como topos de gama de telemóveis e LCD, ou roupa de marcas reconhecidas mundialmente (adidas, hugo boss, burberry) são a emergência destas pilhagens e a ambição desta gente. Isto constitui uma consequência das políticas de UE ou uma mera má formação profundissima de diversa ordem? Parece-me lógico, na sociedade onde estamos inseridos, que a pssibilidade de consumo de bens (acessórios, entenda-se, como os atrás referidos) seja uma consequência das decisões que tomamos para podermos ter uma vida confortável e, pontualmente, permitirmo-nos a algumas extravagâncias. Esta geração foi criada, alimentada, sustentada em educações imediatistas e facilitistas: “para quê ir trabalhar, se posso ir a loja da esquina e roubar um iphone, que quero tanto?” é, sobretudo, deste tipo de atitudes que falo e que foram, em grande ordem, sintomáticas nos motins, nas declarações e na vanglorização destas almas perdidas quando entrevistadas para os meios de comunicação. Desconhecem em absoluto o verdadeiro empenho e compromisso que, no mundo real – exterior a realidades playstationianas e xboxianas – sustenta as sociedades. E, em certa medida, as organiza.

Revolta-me que esta gente, movida por um ódio sem nome e sem que eles o conheçam, tenham destruído a vida de outros, inocentes, de forma irredutível. Não me parece coerente, consistente nem tão pouco aceitável esta forma de manifestação. Que têm razões para protestar, até poderei concordar que têm. Se têm legitimidade para o fazer, em absoluto não têm. Muito menos agora. Porque se há as excepções que se distanciam, por opção – repito, por opção, destas realidades de meios sociais frágeis e instáveis, a regra é embarcar numa atitude de contestação (das quais nao sabem muito bem as razões), facilitismo (quero ter, nao importa como) e pura anarquia (vale tudo). O conjunto das atitudes e das suas expressões, sem critério, e as consequências, agora, que daí advêm, constituem, na minha maneira de encarar tudo isto, perfeitos crimes.


Obviamente, que estamos perante uma crise de valores absurda (é disto que se trata, na verdade) consequência duma crise de ordem maior. Mas, pergunto-me, se o “não ter nada a perder” não é, na verdade, o facilitismo de “nao querer ter a chatice de me levantar às 7h para ir trabalhar e chegar a casa às 20h”....
 
Para terminar, e já ha algum tempo que defendo isto, duma forma transversal a diversas escalas, as prioridades estão, em absoluto, invertidas. Totalmente invertidas.

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