sábado, 29 de maio de 2010
amanhecer às 4.30, e não há estores!
na verdade é raro o sítio em que não consigo adormecer, tenha ou não claridade. o que nunca me tinha acontecido era acordar às 4.30 da madrugada com a luz a despontar já em pujança (ou a que é possível com o dia nublado de hoje]. Em semelhança à minha querida Holanda, estores são invenção dos povos mediterrânicos e é coisa que não há por estes lados. adoro acordar com o despontar do dia, mas hoje - só por hoje - eu tinha agradecido que amanhecesse a partir das 10h da manhã.
Cambridge é uma cidade de forte tradição universitária e académica, e todo o ambiente que potencia, de austeridade e academismo. deparo-me com frequentes semelhanças com a holanda. a escala da cidade é óptima (amanhã vou explorá-la melhor), as montras (algumas com coisas horrendas, de puro gosto inglês e, portanto, duvidoso) são uma delícia de composições, os pubs a fazerem convites irrecusáveis de permanecer em toda aquela atmosfera, e as biciletas - em sentido contrário... por falar em sentido contrário, andar de carro à inglesa (no lugar do pendura) é assim qauqluer coisa fora deste mundo e do outro - as rotundas ao contrário, as ultrapassagens ao contrário, tudo ao contrário... que venha bem longe o dia em que terei de pôr mãos ao volante dum carro inglês...
Segue-se londres, hoje.
os primeiros testemunhos - Cambridge
cambridge | rio cam
o homem do leme
king's college
ponte dos suspiros [em imitação à de veneza]
a mulher do leme
é primavera!
jantar no italiano do jamie oliver!bom mas bom!
[a qualidade das fotografias não é a melhor...mas foi o que se pôde arranjar de improviso à falta de bateria da máquina]
quarta-feira, 19 de maio de 2010
lugar submerso
acredito que ainda hoje respira submerso... aquele lugar.
a construção tosca, saída das mãos de quem vê nas nuvens que vai chover amanhã ou depois. tosca. não havia parede direita, em prumo de perfeição. o claro e o escuro da textura ficava-lhe bem. a casa. das paredes, do chão, das portadas, das cores e das memórias.
à entrada os olhos azuis profundos que me esperavam sempre. na cadeira também ela tosca. a renda em perfeição, tecida no tear das mãos. cabelo branco, profundo. e o sorriso que não quero que a memória apague. o cheiro a estevas, e o cantar das cigarras no pico do calor. entrar naquele lugar aproximava-me das fantasias primitivas de qualquer criança. o baloiço, no eucalipto. o riacho em transparência. os animais. os mitos dos lobos. as cores. os cheiros.
os cheiros. qunado a noite caía, a candeia de petróleo exalava o cheiro da luz que fazia trémulas as paredes. toscas. as portadas ainda abertas, e a noite lá fora. quente. lembro-a sempre quente. e a madeira a estalar de cansaço do quente do dia. ainda os grilos a cantar, e eu a querer encontrar um. as sombras que deambulavam no luar que irrompia, sem licença. e algumas gigantes, que (me) traziam o medo. a rede que se suspendia, qual dossel, por cima de mim, aconchegando-me os sonhos, sem zumbidos de insectos da serra.
manhã. o sol so chegava já o dia ia quase a meio. no vale, o calor já se condensava. na cozinha, amarela, e ainda mais amarela com a luz que chegava, os rituais da manhã. as pataniscas com o mel. e não haverá leite nenhum que me saiba, sequer, como aquele ordenhado com as mãos duma vida, da Mimosa no palheiro. tentei uma vez a ordenha, as minhas mãos trémulas de 4 anos - lembro-me -, e o desalento de não conseguir uma pinga de leite da Mimosa. o cheiro da palha sub os pés e a ajuda de carregar um balde de leite, como a tarefa mais honrosa do dia. ainda hoje, pataniscas têm de ser acompanhadas com leite. e voltava ao amarelo, ainda mais amarelo, da cozinha. a mesa que me chegava ao queixo.
la fora as videiras em verde vivo, no branco da cal. os animais que por ali andavam, e eu a correr atrás deles. o baloiço suspenso no eucalipto; cortiça com cordas que me levava em instantes a consideráveis metros do chão. e a mota casal que me levava, a pendura, às memórias de quem ali cresceu.
este lugar, submerso, lá.
emerso, aqui.
a construção tosca, saída das mãos de quem vê nas nuvens que vai chover amanhã ou depois. tosca. não havia parede direita, em prumo de perfeição. o claro e o escuro da textura ficava-lhe bem. a casa. das paredes, do chão, das portadas, das cores e das memórias.
à entrada os olhos azuis profundos que me esperavam sempre. na cadeira também ela tosca. a renda em perfeição, tecida no tear das mãos. cabelo branco, profundo. e o sorriso que não quero que a memória apague. o cheiro a estevas, e o cantar das cigarras no pico do calor. entrar naquele lugar aproximava-me das fantasias primitivas de qualquer criança. o baloiço, no eucalipto. o riacho em transparência. os animais. os mitos dos lobos. as cores. os cheiros.
os cheiros. qunado a noite caía, a candeia de petróleo exalava o cheiro da luz que fazia trémulas as paredes. toscas. as portadas ainda abertas, e a noite lá fora. quente. lembro-a sempre quente. e a madeira a estalar de cansaço do quente do dia. ainda os grilos a cantar, e eu a querer encontrar um. as sombras que deambulavam no luar que irrompia, sem licença. e algumas gigantes, que (me) traziam o medo. a rede que se suspendia, qual dossel, por cima de mim, aconchegando-me os sonhos, sem zumbidos de insectos da serra.
manhã. o sol so chegava já o dia ia quase a meio. no vale, o calor já se condensava. na cozinha, amarela, e ainda mais amarela com a luz que chegava, os rituais da manhã. as pataniscas com o mel. e não haverá leite nenhum que me saiba, sequer, como aquele ordenhado com as mãos duma vida, da Mimosa no palheiro. tentei uma vez a ordenha, as minhas mãos trémulas de 4 anos - lembro-me -, e o desalento de não conseguir uma pinga de leite da Mimosa. o cheiro da palha sub os pés e a ajuda de carregar um balde de leite, como a tarefa mais honrosa do dia. ainda hoje, pataniscas têm de ser acompanhadas com leite. e voltava ao amarelo, ainda mais amarelo, da cozinha. a mesa que me chegava ao queixo.
la fora as videiras em verde vivo, no branco da cal. os animais que por ali andavam, e eu a correr atrás deles. o baloiço suspenso no eucalipto; cortiça com cordas que me levava em instantes a consideráveis metros do chão. e a mota casal que me levava, a pendura, às memórias de quem ali cresceu.
este lugar, submerso, lá.
emerso, aqui.
domingo, 16 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
o tempo tem tempo dentro
www.lxfactory.com [agenda]
o tempo tem tempo dentro. às vezes demoramos nele. outras, demora-se em nós. outras, ainda, trespassa-nos deixando um leve rasto do seu abandono. leve. ou pesado, depende. tenho estado ausente das palavras. destas que por vezes aqui surgem na sua condição intimista e circunscrita. não quer dizer que as tenha esquecido. nunca, na verdade. há sempre rabiscos que se escrevem em folhas de papel que as eternizam, até ver.
o tempo tem tempo dentro. e o meu tempo, este que hoje acontece e ontem se extinguiu, também, tem tempo(s) fugazes dentro. fugazes não será a palavra correcta. tempos, vorazes. vivo-os, em inteiro, e não me sobram mais que as memórias e vontades de ver, viver, o que realmente o apressa. ao tempo.
hoje tive uma surpresa, já anunciada, da imagem que hoje aqui partilho. a consequência das coisas que acontecem por este ou aquele motivo é sempre o alvo da minha perseguição. não me aptece fazer algo que não tenha consequência. e quando não a(s) tinha de início, no seu fim, reinvento essa sua história e acho-lhe a consequência. e torna-se útil, para mim (ciclo intimista, raios), saber que faz, fez e fará sentido. é um quadrado cinzento, letras gordas e negro este que aparece. mas ele em si próprio, encerra e abre toda a vontade que tenho de ver esta consequência meterializada. assim: LXfactory, 14.05.2010, em exposição.
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terça-feira, 27 de abril de 2010
london calls
o silêncio - das palavras - durante estas semanas permitiram os regressos e as partidas de momentos com os quais, ultimamente, tive que lidar. lidar, não. aceitar. porque nalgum ponto eles - os momentos - são controversos. de si em si. não sei, em concreto, explicar. explicar-me. para mim.
há duas semanas veio a notícia que me colocaria em londres nos próximos meses, até ao fim destes meses que acontecem chegando a um novo ciclo. certa que iria - na verdade e paixão que me move - para algum lugar, em coordenadas longínquas daqui. certa, dentro de mim. sem as recorrências que, aparentemente, movem este país, consegui uma das coisas que mais ambicionei para esta fase da minha vida. neste momento não me preocupa tanto o facto se irá acontecer numa sucessão de acontecimentos que me marcarão numa dimensão inolvidável. quero acreditar que sim. com o bom e o menos bom que implica. já o senti na holanda. senti-lo-ei em londres, claro. mas tudo que se me insurge são dúvidas, com e sem pontos de interrogação. dúvidas que nascem de mim para mim. às vezes nem sei em que contornos nascem (e morrem) essas dúvidas. e nem me interessa. quero que se dissipem até à extinção. zero. nada.
neste momento vai-se articulando o mapa de londres no músculo pensante e a expextativa em crescendo optimista que se adensa. (parecem-me algo disconexas as palavras que escrevo. confesso)
não interessa.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
51.30 N 0.10 W
verdade que ainda não tive a coragem para reflectir em semânticas e sintaxes o turbilhão de emoções que se engrandecem em mim desde esta 2ª feira. coisa temporal. facto. mas foi, desde 2ª feira. e acredito que também não o farei neste momento. aptece-me que não exista qualquer filtro entre o que penso agora e o que escrevo, também agora. sentimentos numa não estreia anunciada emergem duma forma que já me tinha esquecido. noutra dimensão, certo. mas que agora marcam a charneira profunda e vincada que se traça esventrando a linha da terra de Lisboa e Londres. momento peculiar, este, da notícia. a ansiedade já se tinha demorado na crença de que a notícia se atrasara um dia. esgotou-se, no entanto, nessa fracção de segundos que demorei a abrir o amontoado virtual de palavras que não me lembro de ter ordenado mentalmente de forma a fazerem sentido no seu todo. e transformou-se - a ansiedade - com a notícia que aí vinha mencionada. partilhei-a em tempo real - e numa não-realidade que me trespassou e ficou durante momentos. Londres. Seria Londres, então. Será Londres. permaneço ainda numa dimensão que na sua abstracção não me permite assimilar a real realidade que decorrerá em dias. É Londres.
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segunda-feira, 12 de abril de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
zeitgeist
numa conjuntura mundial, escandaliza-me que, numa economia fragilizada - como é a nossa, portuguesa - venham a público salários absolutamente astronómicos quando comparados à nossa dimensão de potência económica. Em conversa no outro dia, disseram-me que tinha a visão curta por contestar estes ordenados dos administradores de empresas público-privadas porque eles - os administradores - faziam com que houvesse milhões de lucros para o estado. Desisti da conversa. Francamente. Porque curta é esta visão. Comparativamente, estamos a falar que o António Mexia ganha MAIS que o Steve Jobs da Apple, e não me digam que a EDP (privatizada sabe-se lá como, lucro de 1092 milhões de euros) factura mais que a Apple (2,26 mil milhões de dólares lucros e receitas de 11.88 mil milhões de dólares, em 2009). Mais a mais, estamos perante uma situação que parte duma intervenção estatal e que, por si só, é sobejamente chocante. Comparo estas duas empresas que, à partida, poderão situar-se nos antípodas duma macroeconomia. No entanto, sendo a Apple uma empresa constituída pela a ambição do self made man e que tem os seus lucros com toda a sua legítimidade, já as empresas privatizadas em condições dúbias em portugal conseguem ter ordenados de administradores escandalosos com lucros incontornavelmente mais baixos que muitas grandes empresas mundiais cujos administradores recebem duma forma proporcional ao ordenado mais baixo que é aplicado na dita. E estar contra esta situação não é desencorajar ou desdenhar a ambição desses senhores. Estar contra esta situação preden-se com a evidente inconsistência face a uma contenção de custos e o esbanjamento, por outro lado, de ordenados desta dimensão. Não é tolerável. Não é, tão pouco, compreensível. Se o António Mexia, Zeinal Bava e restantes senhores milionários têm dado créditos das suas competências enquanto administradores? Aparentemente, sim. Mas suspeito que muito do sucesso empresarial deles se deve aos grandes profissionais anónimos que integram equipas onde os salários são uma pequena fracção dos salários dos administradores. Mais, se estão à frente de empresas com capital público parcial foi porque, espero, tenham demonstrado competências para as administrarem. E, posto isto, os soberbos prémios que recebem, sob este ponto de vista, não fazem, nesta dimensão, sentido, porque apenas estão a fazer o que deles é esperado. o estímulo financeiro, ou a compensação dos objectivos propostos é, em grande medida, um incentivo ao desenvolvimento e crescimento duma empresa. mas prémios que ascendem aos 2,4 milhões de euros é, efectivamente, um exagero e uma afronta face à situação económica que hoje vivemos. Isto é ter visão. Atenção que não são referidos nem Belmiro de Azevedo nem Américo Amorim, porquê? Porque esses senhores, à semelhança do Steve Jobs e de tantos outros, fizeram o seu império. Eles próprios. E eles também trazem lucros para Portugal!
É a nossa cultura onstensiva e medíocre que Max Weber explica de forma objectiva e categórica no livro A ética protestante e o espírito do capitalismo. Sucintamente, enquanto uns vivem para realização própria (idependentemente de ganhar 1000 ou 10000 ao final do mês) outros vivem para a ostentação sem, no entanto, as competências serem efectivamente relevantes. Popularmente, uns vivem para a qualidade de vida na sua essência, enquanto outros vivem para os bmw e mercedes que vão coleccionando na propriedade de ziliões de hectares. Isto choca-me verdadeiramente, e não me enquadro minimamente com esta postura, que é a que vigora: "não interessa o que penso de mim próprio, interessa-ME o que os outros pensam sobre mim tendo por base o que tenho, e não a competência e qualidade do que faço!"
Se compararmos o universo europeu, temos dos salários mais escandalosamente altos a serem pagos a administradores de empresas público privadas e de instituições estatais. Veja-se o caso do vergonhoso Victor Constâncio de saída da governação do BP, com cerca d 250.000 mensais. Competência? Não lhe vi nenhuma. Pelo contrário, encobriu de forma calamitosa a crise toda que envolveu várias instituições bancárias. Rebuçado? Vai para o BCE, na vice-presidência. Astrid Lulling afirmou mesmo que a votação de Constâncio para o BCE era como "dar barras de dinamite a um pirómano". Não me convençam que este senhor fez um trabalho de relevância para auferir o que auferia e sair do panorama português pela porta grande, em direcção ao BCE. o que não vale ter amigos influentes. E menciono dois exemplos de duas empresas de carácter público-privado e um cargo público como poderia mencionar outros mais (CMVM, CTT, REN, GALP, TAP, etc...). Eu pergunto, sem minorar as nossas capacidades, num país que oprime como se não houvesse amanhã empresas que dão créditos em todas as partes do mundo das suas competências e qualidade, se é uma realidade congruente a dos salários astronomicamente altos e as empresas que vão fechando sem capital porque não há investimento do estado? A ler artigo "gestores com salários de milhões" na revista Sàbado.
Somos dos melhores fabricantes de calçado do MUNDO; temos o melhor azeite do MUNDO; temos o melhor vinhos tinto do MUNDO; temos empresas de vanguarda tecnológica - YDREAMS; temos tantos investigadores bolseiros que fazem um trabalho incrível e que não têm apoio de relvância pelo estado; temos tanto e estamos a deixar fugir tudo. nem só de electricidade e telefones e fibra óptica vive este país. e por acreditarem nisso, as pequenas empresas vão-se extinguindo e com elas a altíssima qualidade que temos. Corroi. e corroi uma qualquer economia que vive alienada do bom que se faz. e lamento que existam tantas pessoas que concordem com os salários milionários que se pratiquem. mas, e terminando, em países que integram as reuniões do G8 e G20, não consta Portugal. e nesses países economicamente consistentes, não existem salários astronómicos como aqueles que se praticam aqui. curioso? elementar: Max Weber e A ética protestante e o espírito capitalista e perceberão a grande diferença que nos separa económica e socialmente das grandes potências. e perceber isto é ter visão ampla e não circunscrita a esta realidade frágil e medíocre em que a classe política e afins nos fazem envolver. lamentável.
é tudo uma questão de expandir a sagacidade crítica fora deste rectãngulo e saber e conhecer o que é aplicável nas grandes potências económicas e com a justiça económica devida. e aí percebemos quão rídiculos são estes ordenados. de administradores de empresas públicas e público-privadas.
tenho escrito.
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sábado, 3 de abril de 2010
engrenagem
J. Tinguely esboço de mecanismo
cruzo-me com imensas pessoas diariamente. conhecidas, desconhecidas, reais e imaginárias. aquelas com quem tenho conversas de horas, e as outras em que se me solta um "bom dia, obrigada". e as outras, também, com quem tenho diálogos em aparente monólogo. sem esquizofrenia, mas com a lembrança das memórias, e como as guardei em qualquer dimensão da minha vida.
cruzo-me com imensas pessoas diariamente, escrevia. e cruzo-me com as paixões baças e dormentes apagadas por marasmos insolúveis. com ausência de muitas. e com paixões das coisas simples, em poucos. tão poucos. perde-se-me a compreensão quando me detenho a pensar porque passam tantos anos sem se querer descobrir a paixão. não a que envolve dois seres humanos. essa não, desconheço. a outra. aquela paixão que nos faz mover. a que nos faz acreditar no lugar comum do não exisitir impossíveis (e não existem!). essa. quantos passam uma existência inteira sem perceber o prazer das pequenas coisas. sem compreender tão pouco o que os faz mover. o que brilha no brilho dos olhos só de pensar. sempre digo que apaixonarmo-nos por aquilo que fazemos, somos e damos nada mais é que sermos inteiros. já Pessoa o escreveu. e assim sendo, em todas as dimensões dessas expressões, invade-nos a força de sermos. quantos olhares baços e enganados não passaram já pelo meu. e dói sabê-los - a eles, os outros - assim. escolha? conformação? submissão? não sei. acredito sempre que, mesmo tarde, um dia que seja, se desvaneça essa opacidade e será, já,uma vida ganha. perdida ainda assim. mas ganha no fim.
evito sempre tornar as palavras numa associação pessoal e biográfica. evito usar a primeira pessoa desse singular. hoje vou fazê-lo, não sendo, todavia, excepção. mas, categoricamente irei fazê-lo.
já aqui escrevi um dia que desde cedo soube o que queria fazer todos os dias da minha vida. sentada num estirador artesanal com uma luz desengonçada, desenhava casas e paisagens urbanas. sempre as desenhei, em qualquer superfície plana que aguentasse os rabiscos. é uma paixão antiga. e adensou-se e sedimentou-se durante muito tempo,e o outro que virá. e que também é hoje. houve caminhos que trilhei e que sempre os soube não serem por ali. não eram, não os sentia. é isso, não os sentia em mim. andei ainda alguns anos em sinuosas descobertas. continuavam a não ser por ali. não eram, e interiorizei isso. doeu horrores quando o fiz. mas iria doer mais se continuasse em alienação e escolhesse continuar. não continuei. voltei atrás, e nisso estava um orgulho ferido à minha espera. não quis saber. voltei. e comecei. de novo. e quase do zero. escolhia, agora, materializar a paixão antiga, que apaguei à espera que desaparecesse. mas estas coisas não desaparecem. nunca. era outro caminho agora. sentia-o. e sentia-o todos os dias que durou. passado, presente e futuro. e apaixono-me, da mesma maneira que me apaixono todos os dias por Lisboa. Sempre esteve ali, com as suas mutações normais, e vou descobrindo. aqui e ali. é igual. houve poucas coisas que, até hoje, tivesse dito e não concretizado. lembro-me de uma só. há coisas que me fazem mover, e ir, e querer, e acreditar, e falar, e dizer, e ver, e conhecer, e escrever. e a arquitectura faz. sou eternamente apaixonada, em tudo. sou-o, na minha essência. e mesmo com as desilusões decorrentes deste ciclo vicioso, reinvento-me a apaixonar cada dia, por cada coisa que escolhi fazer. falo com o brilho dos olhos de cada projecto que me sai das mãos. falo com o brilho dos olhos de cada projecto que virá. falo com o brilho dos olhos da luta dentro de mim que me fez voltar atrás e percorrer um caminho sentido.este. falo que falarei sempre disto. porque me entrego inteira quando faço. e penso e ambiciono. e nisso reside em parte a felicidade.
diariamente cruzo-me com imensas pessoas, conhecidas, desconhecidas, reais e imaginárias. desejo que, numa qualquer mesa artesanal, sob a luz desengonçada, percebam a direcção e disspem a névoa que se lhes paira. no caminho insentido.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
da (absurda) greve dos enfermeiros
antes de mais não quero de todo deixar dúvidas sobre o respeito que tenho pelos profissionais de enfermagem. no entanto, e considerando o panorama nacional, em diversos níveis, parece-me no mínimo rídicula a principal razão que moveu esta classe para uma greve de três dias: um salário mensal de 1200 euros (que auferem advogados e outros licenciados a trabalhar num hospital) face aos 1020 que actualmente ganham. Face a isto, apetece-me perguntar se porventura não precisam de arquitectos nos hospitais!?!?
Não estão em questão os incontornáveis riscos que esta classe enfrenta na sua profissão, a responsabilidade que tem e o serviço imprescindível aos cidadãos. O que verdadeiramente me causa consternação é o facto de muitos destes profissionais poderem trabalhar em dois e três sítios simultaneamente e, consequentemente, os alegados 1020 euros que ganham multiplicarem-se em mais uma considerável quantia. Não me parece perspicaz nem tão pouco legítimo que, face a esta incontornável realidade de multi-empregos, se reservem ao direito duma greve quando, profissionais dos mais diversos ramos licenciados e mestres, não ganhem nem metade desse valor nem tão pouco terem regalias de serviço de saúde ou quaisquer outros subsídios. não referindo o facto de exercerem profissionalmente sob o precário regime de recibos verdes.
Ora, não são poucos os enfermeiros que conheço, e na sua grande maioria trabalham em diversos sítios fazendo, com uma regularidade que me preocupa, turnos de 16 e 24 horas (normalmente turnos da tarde e noite, por causa dos subsídios........). eu pergunto se as suas faculdades cognitivas, emocionais, biológicas e físicas se apresentam adequadas, após 8 horas, para terem ao seu cargo a responsabilidade da saúde dos seus doentes e, mais ainda, prestarem-lhes um serviço com a competência que lhes é exigida. eu acho difícil. mais, ao trabalharem em diversos locais, criam directamente um excedente de profissionais que, por outros terem 2 e 3 "empregos", outros não o podem ter, porque não há capacidade de absorção laboral nesse sentido! Se não há respeito dentro da classe - apelando ao egoísmo de uns em ganhar mais uns valentes trocados ao final do mês, enquanto outros ficam na miséria - é inconsistente alegar ao respeito da classe pelas outras classes da saúde! Preocupem-se em resolver este tipo de egoísmo interno, e só depois pensem em fazer uma hipotética greve!
vários são os comentários às notícias sobre esta matéria e, regra geral, todas as que defendem esta greve comparam os salários dos enfermeiros com salários de administradores de empresas públicas. caros amigos, se querem fazer uma avaliação criteriosa e efectiva, façam-no com quadros semelhantes ao vosso, com qualificações semelhantes à vossa. Irritam-me estas manifestações que se centram, essencialmente, no aumento dum salários que, per si, já é o dobro e o triplo de muitos licenciados e mestres que por aí andam. O cerne da verdadeira questão é que se os enfermeiros fazem greve há consequências imediatas que afectam a população. se profissionais de outros ramos, nomeadamente das artes, reivindicam e fazem greves, ninguém dá por isso.
apetece-me dizer-vos, com todo o respeito, olhem menos para o vosso umbigo, porque na globalidade das vossas condições laborais, são privilegiados. nos 2 e 3 sítios que trabalham. e o salário efectivo ao final do mês não serão nem os 1020 nem os 1200 euros que, oficialmente auferem.
e doravante qualquer um de vós que me afirme que há falta de emprego em enfermagem, eu digo-vos calma e serenamente: "larguem, então, os outros locais que têm em paralelo ao público, e isso criará mais 2 postos de trabalho. e passa a ideia aos teus pares! assim a coisa compõem-se, mais colegas teus ficam com trabalho e escusam de fazer estas greves absurdas!que tal?"
tenho dito.
terça-feira, 23 de março de 2010
"é perto, mas é longe"
[banksy ©]
sáb.20 mar. 10
entre Lx e Silves
é um duo dissonantemente real. e ignorado. esquecido. minorado. todos e quaisquer entretantos que separam o perto do longe são estupida e racionalmente vagos. e dessa abstracção nada mais há que a fixação e vontade de chegar. muitas vezes, mesmo aqui as chegadas. e ainda longe.
quinta-feira, 18 de março de 2010
D. Roberta e Tobias
[ana pacheco ©]
9.43h. 18.mar.10. lisboa.
a rua subia íngreme. das trinas. sem cansaço e na velada composição matinal. pequenos laivos de ouro ofuscavam-na, no seu crecendo, ainda assim, escura sub os pés. demora-se a luz, na esquina, e aguarda-se na penumbra da escassez duma outra. guarda-mor. numa fronteira dúbia e não instituída, cruzo as duas. e a porta rasgada em verde do branco que se impunha deteve-me. número 2. um tobias em perfeito equilíbrio aconchegado na luz, ainda, rasante na sua tez branca e negra. do escuro de dentro, surdamente, escutei um bom dia. assim li nos lábios cobertos pelo breu. uma D. Roberta - porque acho que tinha cara de Roberta - de quem apenas vislumbrei o cabelo branco, branco, e a força da fragilidade dum olhar moído pelo tempo. às vezes, sem perdão, auguro. Branco e negro, também lá dentro. branco e negro, também na vida.
desço pela escassez que sobra da rua. viro à esquerda, nessa rua principal que não decorei, ainda, o nome. desenha-se com os eléctricos 25 e 28, no som metálico dos freios desengonçados. ele todo, desengonçado. singular, ainda assim. e o amarelo serpenteante ainda é mais amarelo com o amarelo do sol. "sr. carlos, uma bica, se faz favor." inunda-se de luz sem licença (com toda, se faz favor!), despretensioso, este lugar à esquina encontrado. bebo-o compassadamente. o café. e o lugar também. a cidade tem aldeias dentro. lugares onde as palavras dos passos demoram. os sorrisos não se ensaiam. mercearia, retrosarias, sapateiros. e os senhores carlos, maneis e antónios desta cidade. ou as robertas, as marias e as isabeis que me sabem o nome. ou respondem sem pergunta.
não se me dissipa do pensamento a imagem dum tobias duma senhora roberta. do branco e do negro. amanhã pergunto-lhe o nome. e do gato também.
quarta-feira, 10 de março de 2010
sprang
[algures entre estocolmo e kiruna]
escreveste-me há dois dias. já me tinhas escrito há mais dias, que fazem meses, mas não te escrevi resposta. acto inadvertido e involuntário. mas nesses mesmos há dois dias, sentei-me e escrevi as palavras numa língua que não é minha. nem tua. é um encontro anglo-saxónico entre a génese latina e a germânica.
encontro. entrei naquele comboio em estocolmo numa gélida manhã do prelúdio do ano. antes, deslumbrava-me com a imensidão da estação central e aconchegava-me saber que iria escrever em tempo real uma das mais marcantes experiências que tive. não o sabia, então. aleatoriamente, sentei-me junto da janela. sempre junto da janela, porque gosto de ver. e, verdade, que saindo de estocolmo, só iria ver neve. em espessura e cores que nunca tinha visto rematada pela imponência de árvores que não lhes sei os nomes. pontualmente, rompia-se a monotonia duma esrita palete de cor, para variar em encarnados escuros. as casas. sozinhas.
seriam dezassete horas confinada àquele espaço transversalmente exíguo, longitudinalmente imenso. levantei-me variadas vezes, regressando ao lugar primeiro que me tinha acolhido depois da partida. houve a vez em que me sentei à tua frente. e foi esse o lugar que mantive até à chegada.
perguntaste-me o trivial em início de conversa. em crescendo, o diálogo arrancou a distância geográfica que nos separava no início para, naqueles metros quadrados deslizantes, saber-te próximo de mim. frente a frente. em diálogo. falaste-me duma imensidão de coisas que ainda hoje recordo. em coisas triviais. devolvem-se-me as memórias àquela cadência temporal que ousaste quebrar. saiste numa qualquer estação com um nome estranhíssimo. continuei. não sem antes te despedires com um forte abraço e me teres feito prometer que te enviaria a foto que tirámos. enviei. e enviei-te, agora, novamente. segui o caminho, onde a neve me esperava e temperaturas que julgava apenas existirem em (hist)estórias também. mas esperava-me a promessa defraudada duma aurora boreal não fosse a tempestade de neve que se arrancou das entranhas duma terra anunciada de ninguém. a demora duma luz em fim de dia refractava-se nas cores quentes que aquele lugar não augurava.
a tua figura ecoou-se-me durante esses dias no lugar perdido num círculo polar. estava certa que o nosso encontro se extinguira naquela fracção de tempo. quase que poderia ter assegurado este mundo e o outro em como não te voltaria a ver. já regressava depois de ter visto novas cores e ter sentido um novo frio. o comboio arrastava-se longamente no infinito dos carris que me devolveriam a estocolmo. parava ocasionalmente numa dessas estações. e, mais demoradamente, parou numa. e uma vítrea batida rítmica acordou-me do sono que me trazia desde há umas horas atrás. olhei, sem perceber quem se enevoava no bafo embaciado sustido pelo vidro. juro que não liguei. continuava. em recurso desesperado, entras no comboio - e não sei descrever a felicidade que te carregava na altura. abaçaste-me longamente. e disseste-me que tinhas ido esperar o comboio para que me visses uma outra vez. e viste.
há dois dias escreveste-me, e, agora, respondi-te. tens-me escrito uma e outra vez, e várias vezes, muitas vezes, e muitas vezes te respondo. todas as vezes, até à última que faltei com a resposta.
naquele dia, Kiruna, 20 de Janeiro 2008.
hoje, Sintra, 10 de Março 2010
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sábado, 6 de março de 2010
mem*tick
faço questão de perpetuar uma mania antiga dum certo coleccionismo, a roçar o doentio, de momentos da minha vida. depurando-se ao longo dos anos,e tornando-se menos radical, sempre guardei toda a parafernália de pedaços de papel que me remetessem ao tempo e lugar dum determinado momento. no início eram desde recortes de jornais de dias específicos (aliás, eram os jornais inteiros que guardava), facturas (!!?!?!?) etiquetas de roupa, bilhetes (exposições, concertos, eventos, cinema, avião, etc), pacotes de açúcar.... Presentemente reduzo-me a guardar bilhetes. de tudo.
um dia dos que passou, deparei-me com este mundo de memórias, religiosamente guardado numa das gavetas em explosão iminente. sentei-me. e acolhi-me num lugar da memória que me deixa o o doce sabor de as ter vivido duma forma tão intensa. acontece que, aquele pedaço de papel quase me materializa a realidade em que aconteceu. são bilhetes eles próprios, e bilhetes novamente quando me levam. e as pessoas que estavam. e as que nunca estiveram. e também as que gostava que estivessem. verdade. são momentos particulares. com luzes, cheiros e imagens que permanecem. são pequenas vicissitudes mundanas que me fazem querer que partilhasse aquelas fracções de segundo com determinada pessoa. as luzes que esmorecem e mais um fim de espectáculo, que inicia um outro. são essas cadências, quiçá metafísicas, que me devolvem aos lugares.
há grandes momentos revelados secretamente em cada fragmento de papel. de todos os que aparecem a inaugurar estas palavras. e de todos os outros que não se vêm. do frio polar de Kiruna e Nikkaluokta ao tropicalismo duma república dominicana existe toda uma amplitude térmica de vivências que me marcaram. Recordo o chocolate quente em amesterdão com o Pedro e a Ana, num lugar saído duma década longíqua de 20; a minha incursão solitária (porque gosto) pelas ruas dessa mesma cidade e as emoções de cheirar a vida de Rembrandt e Anne Frank; o Stedelijk em obras e temporário com a comemoração da Magnum; a chuva no alto de St. Paul's; a lareira acesa por um autóctone em -32ºC de Nikkaluokta; a luz vibrante de la Pedrera ao final da tarde; um regresso à infância em Ultrecht; o deslumbramento da Tate Modern; a magia de Escher; a sombra tão íntima do Hot Club; as cores vivas ao sol dum final de tarde em Veneza; sentir o meu coração parar no Maurithuis com Vermeer; a viagem absoluta do espaço da Vieira da Silva; o eco perpétuo de Peal Jam; as longas horas passadas em comboios; as incursões e deambulações urbanas que me enchem e preenchem; entre estes pontos existem tantos outros nos entretantos que recordo.
Vivi cada um deles, e todos os outros compreendidos em cada intervalo, da maneira intensa que para mim faz sentido. E isto, com o imenso significado que se engrandece, faz-me querer viver sempre mais. e intensamente. aqui e noutros sítios. contigo ou simplesmente na minha confortável solidão.
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quinta-feira, 4 de março de 2010
eis o conto de fadas em que a vodafone faz acreditar os demais...
eis como a mediática vodafone retrata a classe dos arquitectos. vamos por partes:
1. "COMO FIQUEI RICA A BRINCAR ÀS CASINHAS" - a recibos verdes?.... digam lá como!
2. "sou arquitecta e divirto-me à grande a fazer maquetes!" - menos mal, a única frase com sentido.
3. "quando acham graça, pagam a sério" - quando acham graça?!?!?!........... e quando pagam...
é escandalosamente rídicula a forma como o que fazemos é exposto neste anúncio. uma sugestão aos marketeers da vodafone: primeiro aprendam a fazer um trabalho baseado na realidade da maioria o que implica que para a próxima contactem a grande percentagem de arquitectos que não é rica, que não brinca às casinhas, que se diverte a fazer maquetes, que não tem clientes que acham graça nem que pagam a sério e depois olhem pá $%&#@ que fizeram e pensem se anda perto da realidade. obrigada.
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segunda-feira, 1 de março de 2010
já explicitei variadas vezes a minha contestação face à instituição igreja católica e demais súbditos, e hoje existem novamente argumentos: quando estamos perante uma verdadeira crise humanitária de escala global, revolta-me saber que SÓ o custo do palco para a visita do chefe supremo do estado do vaticano, vulgo papa, a Lisboa será de 200.000 euros. qual é o difusor das máximas da "humildade, despojamento e ajuda ao próximo" que permite uma coisa assim? com certeza não tem o nome de joseph ratzinger.
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[ana pacheco ©]
tão firme e silencioso como só houve
no tempo mais antigo.
Estes são os arquitectos, aqueles que vão morrer,
sorrindo com ironia e doçura no fundo
de um alto segredo que os restitui à lama.
De doces mãos irreprimíveis.
- Sobre os meses, sonhando nas últimas chuvas,
as casas encontram seu inocente jeito de durar contra
a boca subtil rodeada em cima pela treva das palavras.
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Estas são as casas. E se vamos morrer nós mesmos,
espantamo-nos um pouco, e muito, com tais arquitectos
que não viram as torrentes infindáveis das rosas, ou as águas permanentes,
ou um sinal de eternidade espalhado nos corações
rápidos
- Que fizeram estes arquitectos destas casas,eles que vagabundearam
pelos muitos sentidos dos meses,
dizendo: aqui fica uma casa, aqui outra,aqui outra,
para que se faça uma ordem, uma duração,
uma beleza contra a força divina?
..................
Falemos de casas como quem fala da sua alma,
entre um incêndio,
junto ao modelo das searas,
na aprendizagem da paciência de vê-las erguer
e morrer com um pouco, um pouco
de beleza.
Herberto Helder
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